06 ✦ pensadora ✦ história
História e Antropologia
Sobre a pensadora
Historiadora e antropóloga. Professora titular do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo. Global Scholar da Universidade de Princeton. Autora de obras de referência sobre a história do Brasil, entre elas O espetáculo das raças, As barbas do imperador e Brasil: uma biografia, escrita com Heloisa Starling. Editora da Companhia das Letras desde 1989. Curadora de exposições sobre história nacional e diáspora africana. Uma das vozes centrais na revisão crítica da narrativa histórica brasileira.

entrevista completa
Reflita com Lilia sobre novos caminhos possíveis, a partir de três perguntas: duas que fizemos a todos os pensadores e uma especialmente para ela e o Javier Cercas.
01 · O que está mudando ao mesmo tempo e ninguém está olhando junto?
02 · O que este tempo pede que ainda não foi respondido?
03 · Que histórias sobre nós mesmos precisamos revisar para conseguir enxergar o que está acontecendo agora?
Lilia Schwarcz
as respostas de Lilia
Veja como Lilia se posicionou nas cinco perguntas que fizemos a todos os pensadores. Cada ponta da estrela mostra uma resposta. Construa o seu para sobrepor ao dela e ver onde vocês se aproximam e onde se afastam.
Quando você pensa no presente, o que pesa mais como urgência: revisitar o que veio antes ou se preparar para o que vem?
Lilia escolheu o meio. O que veio antes e o que vem caminham juntos, o passado atravessando o presente sem cessar, o futuro sendo desenhado nessa travessia.
Quando você olha para o sofrimento do nosso tempo, o que pesa mais: o excesso ou a ausência?
Lilia escolheu o polo da ausência. O que falta, o que foi calado, o que ainda não cabe na história contada.
Em meio às forças que atuam sobre o sujeito hoje, o que mais dificulta navegar este tempo: a saturação de informação ou a atrofia do senso crítico?
Lilia escolheu o meio. Os dois movimentos atrapalham em medida equivalente. O excesso de informação confunde quem precisa decidir, e o senso crítico enfraquecido recebe esse excesso sem filtro.
Diante do que ainda não está dado, o que faz sentido fazer: esperar até o caminho aparecer ou agir antes que o caminho fique claro?
Lilia escolheu o polo da ação. Age-se antes da clareza chegar, em posicionamento que recusa o atraso.
Em um tempo em que a vida acontece sob a expectativa permanente de ser vista, registrada e avaliada, o quanto essa visibilidade contínua interfere na construção do que se considera autêntico?
Lilia escolheu o meio. A exposição contínua atravessa quem somos hoje, ao lado de outros atravessamentos com peso equivalente.
Como Lilia lê o presente
O que foi calado, o que foi excluído, o que continua não cabendo na narrativa oficial pesa mais do que qualquer excesso.
análise curada ✦ direção editorial ✦ ~4 min
Lilia Schwarcz responde como quem leu, escreveu e revisou a história do Brasil muitas vezes ao longo da vida. Diante de cinco perguntas sobre o tempo presente, a historiadora aponta com clareza para o que está sendo deixado de fora, e para a urgência de agir antes que a fila de silêncios cresça ainda mais.
Há nela uma leitura que parte da ausência como ponto de gravidade. O que foi calado, o que foi excluído, o que continua não cabendo na narrativa oficial pesa mais do que qualquer excesso. Quem passou décadas devolvendo nomes e rostos à história sabe o tamanho do que segue sem nome.
Lilia também sustenta um lugar mais cuidadoso quanto à visibilidade contínua. A vida pública atravessa quem somos, sim, mas há outros atravessamentos com peso equivalente, e a historiadora não reduz a experiência atual a uma dimensão só.
O Mapa da Lilia Schwarcz é um convite a olhar para o que falta, e a fazer isso enquanto ainda há tempo de mudar o desenho.
convergências
No radar quantitativo, esses pensadores se aproximam mais da posição de Lilia.
distâncias
Onde a conversa entre eles ficaria mais interessante — os olhares mais diferentes de Lilia.
e você?
Em 4 minutos você responde as mesmas cinco perguntas e descobre. Seu mapa entra no Mapa.
próxima pensadora

Marcela Ceribelli
Comunicação Digital e Literatura
sobre o projeto
O Mapa de Convergências é um projeto sem fins lucrativos que nasceu em maio de 2026, em Porto Alegre, durante o Festival Fronteiras. Dois dias, mais de setenta pensadores brasileiros e internacionais reunidos em torno da pergunta do festival: como navegar o mundo de forma autêntica?