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Literatura
Sobre o pensador
Javier Cercas é escritor e ensaísta espanhol, nascido em Ibahernando, Extremadura, em 1962. Doutor em Filologia Hispânica pela Universidade Autônoma de Barcelona. Autor de Soldados de Salamina, Anatomia de um instante, O impostor e El loco de Dios en el fin del mundo, entre outros. Sua obra circula entre romance, crônica e ensaio histórico, com atenção particular à memória da Guerra Civil espanhola e às tensões da democracia contemporânea. Prêmio Planeta e referência incontornável da literatura ibero-americana.
Javier integra o Mapa de Convergências como voz editorial — participa da conversa sem posicionamento quantitativo no radar.
construa seu mapa
leitura editorial
"Lo único que sabemos de la historia es que es imprevisible."
Javier Cercas
Javier Cercas entra no Mapa com três perguntas:
O que está mudando, ao mesmo tempo, e as pessoas não estão olhando juntas?
O que esse tempo pede que ainda não foi respondido?
Que histórias sobre nós mesmos precisamos revisitar para poder ver o que está acontecendo agora?
Cinco minutos. Três perguntas. Uma posição filosófica inteira sobre o tempo presente, dita com a contundência de quem passou décadas escrevendo sobre o passado e sabe o que ele faz com quem o ignora.
A primeira resposta começa onde a pergunta termina. "Todo está cambiando. La realidad es cambio." Para Cercas, perguntar o que muda é tautologia. O que importa perguntar é o que fazer diante disso. E aí vem a frase que define a entrevista: "Quien diga que sabe lo que será relevante, o miente o es estúpido." É Cercas falando com a coragem ríspida de quem viu profetas demais errarem feio. A história, ele lembra, é imprevisível. Essa é a única certeza disponível.
Na segunda resposta, Cercas propõe trabalhar as perguntas que ainda não fizemos. "Lo importante es que tengamos las preguntas y que sepamos formularlas bien." Num tempo em que respostas se tornaram abundantes e baratas, perguntar bem virou trabalho difícil. A literatura, para Cercas, é justamente o lugar onde essas perguntas começam a ser formuladas.
A terceira resposta volta para o território de casa do autor: o passado. Cercas escreveu sobre a Guerra Civil espanhola, sobre o franquismo, sobre o golpe de 1981. Sabe, pela prática, o que o passado mal lido produz no presente. "El pasado hay que revisitarlo constantemente, para saber qué ocurre en el presente." O passado, em Cercas, é ferramenta de leitura do agora. E ele acrescenta: revisitar o passado serve também "para protegernos del futuro, al menos".
"O futuro não se prevê. Os profetas são todos falsos."
O Mapa de Javier Cercas é um convite à modéstia diante do tempo presente. Saber pouco é honestidade. Formular bem as perguntas vale mais do que cobrar respostas rápidas. E o passado, longe de arquivo, é o melhor instrumento que temos para enxergar o que está acontecendo agora.
É a literatura fazendo o que ela sabe fazer: lembrar a quem lê que viver com perguntas bem feitas é mais sério do que viver com respostas erradas. Assista ao vídeo com isso em mente.
entrevista completa
Reflita com Javier sobre novos caminhos possíveis, a partir de três perguntas: duas que fizemos a todos os pensadores e uma especialmente para ele e a Lilia Schwarcz.
01 · O que está mudando ao mesmo tempo e ninguém está olhando junto?
02 · O que este tempo pede que ainda não foi respondido?
03 · Que histórias sobre nós mesmos precisamos revisar para conseguir enxergar o que está acontecendo agora?
Javier Cercas
e você?
Em 4 minutos você responde as mesmas perguntas e descobre onde você se posiciona. Seu mapa entra no Mapa.
sobre o projeto
O Mapa de Convergências é um projeto sem fins lucrativos que nasceu em maio de 2026, em Porto Alegre, durante o Festival Fronteiras. Dois dias, mais de setenta pensadores brasileiros e internacionais reunidos em torno da pergunta do festival: como navegar o mundo de forma autêntica?