08 ✦ pensador ✦ filosofia
Filosofia
Sobre o pensador
Filósofo, doutor em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Pesquisa filosofia africana, ameríndia e afroperspectivismo. Autor de O ensino de filosofia e a Lei 10.639, Mulheres e deusas e Por que precisamos de mais sankofas, entre outros. Uma das principais vozes brasileiras na construção de uma filosofia que articula tradições não hegemônicas do pensamento. Trabalha o ensino de filosofia, gênero, raça e infância.

entrevista completa
Reflita com Renato sobre novos caminhos possíveis, a partir de três perguntas: duas que fizemos a todos os pensadores e uma especialmente para ele.
01 · O que está mudando ao mesmo tempo e ninguém está olhando junto?
02 · O que este tempo pede que ainda não foi respondido?
03 · Em tempos em que o pensamento começa a ser delegado às inteligências artificiais, há uma crise do pensar? E se há, você vê caminho para a reversão prática?
Renato Noguera
as respostas de Renato
Veja como Renato se posicionou nas cinco perguntas que fizemos a todos os pensadores. Cada ponta da estrela mostra uma resposta. Construa o seu para sobrepor ao dele e ver onde vocês se aproximam e onde se afastam.
Quando você pensa no presente, o que pesa mais como urgência: revisitar o que veio antes ou se preparar para o que vem?
Renato escolheu o meio. O que veio antes e o que vem caminham juntos.
Quando você olha para o sofrimento do nosso tempo, o que pesa mais: o excesso ou a ausência?
Renato escolheu o meio. A ausência do que foi calado e o excesso do estímulo pesam em medida equivalente.
Em meio às forças que atuam sobre o sujeito hoje, o que mais dificulta navegar este tempo: a saturação de informação ou a atrofia do senso crítico?
Renato escolheu o meio. Os dois movimentos atrapalham juntos, e separá-los seria simplificação.
Diante do que ainda não está dado, o que faz sentido fazer: esperar até o caminho aparecer ou agir antes que o caminho fique claro?
Renato escolheu o meio. Esperar e agir caminham juntos, o tempo de pensar como parte do agir.
Em um tempo em que a vida acontece sob a expectativa permanente de ser vista, registrada e avaliada, o quanto essa visibilidade contínua interfere na construção do que se considera autêntico?
Renato escolheu mais perto do polo da interferência. A exposição contínua atravessa quem somos hoje, com peso real, sem virar fatalidade.
Como Renato lê o presente
Renato chega aí por um caminho que articula filosofias africanas e ameríndias, tradições que pensam o tempo como camada, e a ação como passo que pede preparo.
análise curada ✦ direção editorial ✦ ~4 min
Renato Noguera responde como quem ensina filosofia há tempo suficiente para ter perdido a pressa. Diante de cinco perguntas sobre o tempo presente, o filósofo se posiciona com calma sustentada, escolhendo, em quase tudo, o meio. Onde a cultura contemporânea pede escolha rápida, Renato pensa.
Há nele uma leitura que se aproxima do gesto de Ana Suy, sem chegar a coincidir. Os dois sustentam o equilíbrio nas mesmas zonas, e talvez por razões diferentes. Renato chega aí por um caminho que articula filosofias africanas e ameríndias, tradições que pensam o tempo como camada, e a ação como passo que pede preparo.
Renato também é, dentro da edição, quem mais sinaliza que a visibilidade contínua interfere significativamente em quem somos hoje, sem dramatizar a interferência. Há uma leitura que reconhece o peso da exposição, e que não foge dela.
O Mapa do Renato Noguera é um convite a sustentar a tensão em vez de resolver a tensão. A pensar antes de responder. A escolher o tempo de fazer.
convergências
No radar quantitativo, esses pensadores se aproximam mais da posição de Renato.
distâncias
Onde a conversa entre eles ficaria mais interessante — os olhares mais diferentes de Renato.
e você?
Em 4 minutos você responde as mesmas cinco perguntas e descobre. Seu mapa entra no Mapa.
sobre o projeto
O Mapa de Convergências é um projeto sem fins lucrativos que nasceu em maio de 2026, em Porto Alegre, durante o Festival Fronteiras. Dois dias, mais de setenta pensadores brasileiros e internacionais reunidos em torno da pergunta do festival: como navegar o mundo de forma autêntica?