voz editorial ✦ psicanálise
Psicanálise
Sobre a pensadora
Vera Iaconelli é psicanalista, doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo. Diretora-fundadora do Instituto Gerar, dedicado ao estudo e à clínica da parentalidade. Colunista da Folha de S.Paulo. Autora de Mal-estar na maternidade: do mito à mulher real, Criar filhos no século XXI e A mãe é a mensagem. Voz central no diálogo entre psicanálise contemporânea, parentalidade e crítica social, com atenção particular à dimensão coletiva do sofrimento psíquico.
Vera integra o Mapa de Convergências como voz editorial — participa da conversa sem posicionamento quantitativo no radar.
construa seu mapa
leitura editorial
"Meu sofrimento e o seu sofrimento tem época, tem território, tem raça, tem classe social."
Vera Iaconelli
Vera Iaconelli entra no Mapa com três perguntas:
O que está mudando entre nós, ao mesmo tempo, que ninguém está olhando em conjunto?
O que esse tempo pede que ainda não foi respondido?
Diante de um sofrimento cada vez menos individual e cada vez mais coletivo, faria sentido pensar no consultório psicanalítico coletivo para o nosso tempo?
Poderia ser Bauman sobre relações líquidas, mas é Vera em carne, osso, carisma e psicanálise. Para ela, as formas de laço estão se transformando, e o atravessamento das novas mídias é o vetor principal dessa transformação. Ela recusa o termo "redes sociais" e propõe outro, mais preciso: redes antissociais. O que se chama de relação ali, diz ela, é plataforma de anúncio, plataforma de propaganda. A relação social vira mercadológica, com finalidades que vão além da subjetividade humana. O laço se deteriora porque o ambiente em que ele acontece tem outra função.
Vera conversa, aqui, com o que Ana Suy sustenta na escuta e Renato Noguera sustenta na filosofia: o sujeito não antecede o mundo que o produz. A diferença é que Vera chega a essa tese pelo que corrói. Ela nomeia o corrosivo com precisão clínica. E nomear, na psicanálise, já é começar a tratar.
Depois vem o sofrimento. Vera o defende num tempo que só quer tamponá-lo, medicá-lo, dar um nome e arquivar.
A recusa da anestesia contemporânea, em Vera, passa pela escuta do que dói antes de saber o que fazer com a dor.
"O sofrimento sempre carrega uma questão que tem que ser formulada para que a gente aprenda alguma coisa." Vera vai além: não há platô sem sofrimento. É preciso escutá-lo, fazer algo melhor com ele.
E então o terceiro movimento, onde a epígrafe de abertura cai com peso total. O sofrimento tem época. O individual nunca está sozinho, mesmo quando a porta do consultório fecha. O que está na sala é sempre mais do que dois. É sempre a época, o território, a raça, a classe social. É sempre o coletivo atravessando o que parece íntimo.
O Mapa da Vera Iaconelli é uma defesa da escuta como gesto político. O que você sente tem nome, tem raiz, tem companhia. Assista ao vídeo com isso em mente.
entrevista completa
Reflita com Vera sobre novos caminhos possíveis, a partir de três perguntas: duas que fizemos a todos os pensadores e uma especialmente para ela e a Ana Suy.
01 · O que está mudando ao mesmo tempo e ninguém está olhando junto?
02 · O que este tempo pede que ainda não foi respondido?
03 · Diante de um sofrimento que parece cada vez menos individual e cada vez mais coletivo, faria sentido pensar num consultório psicanalítico coletivo para o nosso tempo? Como ele seria?
Vera Iaconelli
e você?
Em 4 minutos você responde as mesmas perguntas e descobre onde você se posiciona. Seu mapa entra no Mapa.
sobre o projeto
O Mapa de Convergências é um projeto sem fins lucrativos que nasceu em maio de 2026, em Porto Alegre, durante o Festival Fronteiras. Dois dias, mais de setenta pensadores brasileiros e internacionais reunidos em torno da pergunta do festival: como navegar o mundo de forma autêntica?